Notícias

Empresas de TI se reúnem, impulsionam mercado e buscam profissionais especializados

20/09/2007

Empresas de TI se reúnem, impulsionam mercado e buscam profissionais especializados

Enquanto os negócios envolvendo a área de TI, em especial a terceirização, crescem a passos largos, num apressado ritmo de inovação tecnológica, a formação de profissionais para atuarem em áreas ligadas à tecnologia da informação caminha ainda lentamente. A demanda por profissionais está bastante aquecida no Brasil e foi acentuada com a chegada de grandes empresas que invadem o país e é claro estão em busca também de profissionais. Não é de hoje que o Brasil vem sendo destacado pela comunidade internacional pelo potencial para exportar serviços de TI.

Isso está claro quando se observa o mercado de trabalho. As grandes empresas periodicamente anunciam novas contratações e previsões de outra tantas. Os jornais anunciam vagas nem sempre preenchidas. Para fechar essa conta é preciso resolver o problema do déficit de profissionais de informática. E a medida que o mercado é aquecido, mais urgente deve ser a resolução do problema. Para o diretor da Wipro no Brasil, Fernando Estrázula, a rapidez com que os profissionais da área de TI serão formados determinará a velocidade da chegada de novas empresas. “Isso significa um fator de alavancagem econômica regional. Quem vai determinar a rapidez desse processo é nossa própria capacidade de dar respostas a essa demanda de profissionais”, diz.

O processo já começou. Novas empresas já estão chegando ao Brasil, como as gigantes indianas. Até porque o outsourcing se apresenta cada vez mais como uma tendência global, principalmente para as grandes empresas. Uma tendência absolutamente lógica uma vez que o outsorcing é um facilitador para as corporações que podem direcionar todos os seus esforços no seu próprio negócio e num médio prazo é uma opção de ganho de competitividade. Mais empresas e mais negócios significa aumento da procura por profissionais da área. Por isso organismos formadores de mão de obra já estão se organizando para atender essa demanda. Nesse processo estão os APLs (Arranjos Produtivos Locais). Em Curitiba o APL de Software conta com cerca de 50 empresas da capital e região metropolitana. O arranjo é recente. Mas a união das empresas de TI deu tão certo que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) reconheceu seu potencial e em função disso declarou que tem intenção de investir no arranjo da capital paranaense. O APL vai fazer parte de um projeto piloto que destinará US$ 10 milhões para financiar projetos de desenvolvimento dentro dos arranjos. Os APLs beneficiados terão um Plano de Melhoria de Competitividade, que vai definir de que forma os recursos serão aplicados.

A idéia em Curitiba é tornar a capacidade individual numa capacidade cooperativa, ou seja, colaborar entre si para tentar evidenciar mais ainda o setor. O objetivo é que outras empresas também se reúnam e que o trabalho em grupo, com a exploração máxima das capacidades individuais.

O vice-presidente da regional Paraná da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet (Assespro) e um dos coordenadores do APL em Curitiba, Mauro Sorgenfrei, lembra que os arranjos seguem a política adotada pelo Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio (MDIC) que agora esta sendo fortalecida como política de desenvolvimento regional.

O foco do APL é empresarial e existe um forte apoio de outras entidades, entre elas, a Curitiba S.A - que representa o poder municipal, a Fiep, Sebrae, Tecpar, Secretaria Estadual de Planejamento, as universidades e as entidades de fomento e financiamento que envolvem desde bancos particulares e estatais. O Arranjo não tem uma vocação primária, ele é voltado para diversos mercados, como um grupo que desenvolve diversas aplicações. São empresas com vocações diferenciadas.

O fato das empresas se reunirem em um arranjo é uma forma estratégica de enfrentar a competitividade do mercado. Com a formação do grupo é possível ampliar a capacitação técnica e de gestão para elas competirem tanto no mercado nacional quanto internacional. Os arranjos locais são vocações naturais que devem ser identificados. “Nós trabalhamos para que as empresas de Curitiba e região tenham esse reconhecimento e para isso elas precisam estar preparadas. Daí temos que ter essa visão do desenvolvimento das empresas sob o ponto de vista estratégico, comercial, técnico, inclusive sob o ponto de vista de incluir a segunda e terceira língua nos seus quadros”, diz Sorgenfrei.

Uma das preocupações do APL de Curitiba é também com a qualificação da mão de obra. Os arranjos são diretamente beneficiados com a formação de mais especialistas na área. O que se tenta agora, com entidades públicas e privadas, é uma colaboração mútua para identificação a demanda para os próximos anos a fim de gerar programas de capacitação planejados para atender esse mercado. Sorgenfrei lembra que um dos maiores problemas hoje do setor de TI é a falta de mão de obra especializada. Se houver crescimento sem capacitação perde todo mundo, as empresas, o trabalhador e o mercado como um todo.

Alguns programas já estão sendo feitos em parceria com Fiep-Senai e secretarias de trabalho para qualificar profissionais. A idéia é trabalhar em duas frentes: na formação técnica e de nível superior. Mas para Sorgenfrei essa é uma ação que começou muito atrasada e é preciso lembrar que os resultados devem aparecer a médio prazo. Outro objetivo muito forte do APL é a busca por novos mercados e ao mesmo tempo a preparação das empresas de pequeno e médio porte para que elas participem da cadeia criada para as grandes empresas. O fortalecimento do APL significa num segundo momento a atração de empresas tecnológicas para a cidade. Nesse sentido a Assespro é um dos grandes vetores para possibilitar esse intercâmbio entre as empresas.

Para o presidente da Assespro, Luís Mário Luchetta, a lição de casa tem sido feita no Paraná, mas ainda há muito trabalho pela frente. “Temos e vamos evoluir muito para que os empresários do país e de fora dele possam sentir que em Curitiba tem um setor produtivo arranjado, fluindo bem”, comenta.

A forma colaborativa de trabalhar faz com que as empresas ganhem musculatura e força para fazer frente ao mercado. De acordo com Luís Mario é uma questão de lógica. “Se há várias empresas, cada uma com um potencial ou foco de mercado, ao invés de todas tentarem desenvolver trabalhos em diversas áreas, as empresas se especializam naquilo que sabem fazer melhor e focam seu potencial nisso. A união das empresas significa sim uma oferta global de serviços. “A idéia é que não tenhamos todas as empresas fazendo a mesma coisa e competindo entre si, já que é possível que cada uma atue numa área específica”, defende.

Essa reunião também é uma forma de atrair grandes investimentos, tanto dos setores públicos quanto privados.

Agora o Arranjo de Curitiba tem como meta aumentar a unificação e colaboração entre as empresas e também entre o APL e ASSESPRO em busca de objetivos maiores. “Não existe APL sem as empresas estarem associadas entre elas. Uma coisa está inteiramente ligada a outra. É preciso ter o entendimento perfeito dessa situação. “O potencial do APL de Curitiba é enorme e a mágica é a colaboração entre si”, argumenta.

Leia mais:

A Índia, agora, mora ao lado

Terceirizar por projetos: Uma tendência

Porque terceirizar a área de TI é um bom negócio?

Fonte: Joice Hasselmann



Prmios e Certificados

Certificado ASSESPRO
Certificado ISO 9001
Cmara Municipal de Curitiba